Por Paulo Heineken

Um pouco de filosofia

Mais um vez posso dizer que tive sorte.

Lembro que há um tempo atrás, eu quis uma Fender Squier japonesa, e achei por um preço ótimo e nova em uma loja da Teodoro Sampaio.

Tempo atrás, mais precisamente em 2011, “bati o olho” em uma Cort m600, não resisti a ela e consegui achá-la por um preço ótimo no Orkut.

Agora é a vez da Ibanez rg350mz, guitarra que logo de cara me deixou babando, pelo visual totalmente apelativo à década de 80, praticamente um déjà-vu da RG550.

Preços bons, é sempre bom ter uma “carta na manga”, e desta vez deu tudo certo. Mas quantas “guitarrinhas” e equipamentos interessantes eu não perdi por falta de $$? Você também já deixou passar alguma?

Sobre a compra

Achei em um anúncio no famoso e polêmico site do Mercado Livre, um cara que mostrava fotos reais dela, com algumas minúsculas imperfeições causadas pelo uso do dia-dia.

O vendedor, mais uma vez, era um cara atencioso, gente finíssima e bem paciente, afinal esperou mais de sete dias para eu conseguir depositar o dinheiro. Assim que depositado, ele me ligou imediatamente informando que havia recebido e que estaria enviando pela manhã do próximo dia.

Pois bem, em torno de 8:00 horas da manhã, ele me ligou novamente e disse que já havia enviado, com mais felicidade do que eu. Também quem dera, o cara tinha acabado de comprar uma Music Man Axis. Para meu azar (mais uma vez??) era feriado nacional de carnaval. E os correios ó…

Obs: no episódio da Cort m600 enfrentei a copa do mundo e um feriado nacional também.

Aqui vai uma dica

Tome muito cuidado com vendedores que usam de muitas gírias, futilidades e não têm uma vida ativa na rede pra você poder “espionar” o cotidiano da pessoa (Facebook, Orkut e principalmente Youtube).

E tome mais cuidado ainda com aqueles que facilitam DEMAIS o processo de compra. Já Recebi proposta de enviar metade do dinheiro, receber o produto e depois enviar o resto, isto vindo de um cidadão que não tinha um celular com câmera fotográfica (mas tinha um POD HD500 de R$1.800 na época) para me mostrar as fotos reais do produto. Todas as fotos deles eram fake, por isso pedi um vídeo dele ligando o equipamento, para poder ficar mais confiante, hehe, sim eu sou chato!! É muito dinheiro envolvido. O mesmo disse que nem na faculdade dele as pessoas tinham celular por ser muito pobre. Cuidado nunca é demais!

Acabamento e a guitarra no geral

Lindo! Simplesmente lindo! A cor Yellow chama muito a atenção de qualquer pessoa, e das duas uma: ou a pessoa vai detestar ou vai achar linda demais. Um fato interessante é que por mais que a mesma esteja meio suja, ela não aparenta! Os pequenos riscos vistos facilmente contra a luz, nesta cor ficaram mais tímidos.

A peça usada no braço e na escala foi um maple muito bonito que dá uma bela combinação com o amarelo do corpo da guitarra e do headstock.

O escudo é preto, e como diz uma amiga minha – “preto combina com tudo”. O headstock conta com uma “portinha” plástica na parte de regulagem do tensor, coisa chique mesmo. A cor segue os padrões da guitarra, criando uma harmonia visual agradável.

Os trastes são jumbos, muito bem colocados e sem rebarbas. O proprietário disse que nunca levou ela a um luthier. E não tive dúvidas sobre isso (explico mais para frente, hehe).

A parte traseira do braço é envernizada, e isso me incomoda um pouco, pois sinto uma pegada mais “pesada”.

Um ponto que achei totalmente negativo no acabamento dessa guitarra é a parte de trás interna no compartimento de molas. A guitarra recebeu ali um acabamento tão porco que dá dó de deixar ela sem a capinha, embora isso não seja tão necessário pois a peça que regula a tensão das molas fica sempre exposta.

OBS: Perceba que a nomenclatura RG350MZ significa que é um modelo RG350 com braço em Maple e Ponte EDGE ZERO.

Sempre que olho para essa guitarra, me vejo nos anos 80.Gente, to ficando velho!!!!

Madeiras corpo e braço. O timbre começa por aqui!

Ponto positivo para a guitarra!

O braço é firme e confortável, com contorno em C, muito fino. Quem gosta de heavy metal e hard rock irá se identificar, já que é um tipo de pegada que permite “fritação”. O raio permite cordas bem baixas para a alegria dos shredders.

O braço é em maple, 3 peças sem aquela emenda do headstock da colagem espanhola. Isso sugere uma melhor qualidade e resistência, visto que a maioria das Ibanez com essa emenda/colagem racham o headstock.

As bolinhas na cor preta dão o toque especial ao visual, combinando com as partes de plástico e ponte da guitarra. São muito bem fixados ao braço, sem erros de acabamento.

A escala em maple  recebeu acabamento na seladora e não em verniz.  Você consegue ouvir um “presence” a mais se comparar com a irmã dela, Rg350, de escala em rosewood.

O destaque maior vai para a fácil acessibilidade às últimas casas. A coisa que eu mais gosto em Ibanez definitivamente é o braço.

No geral, com toda essa combinação de madeira, posso afirmar que tem um peso muito adequado para segurar com a correia, carregar no bag ou case. Ela é bem levinha.

Captadores

Bridge – INF4

Captador com imã cerâmico. Suja com facilidade, tem uma saída absurdamente alta, grita fácil. Com distorção é muito bom, deixa um timbre com agudos acentuados, médios bem destacados e graves mais moderados. Funciona bem também com uma distorção mais moderada e overdrive com bastante ganho. Não gostei muito do Clean e Crunch dele, essa com certeza não é idéia desse pickup, esse foi feito mesmo é para incomodar seus vizinhos. O melhor de tudo é que ele tem um ruído muito baixo.

Middle – INFS3

Captador com imã cerâmico. Esse captador foi colocado obviamente para dar uma certa versatilidade na guitarra. Com ele você obtém o som próximo de uma strato. Usando na posição intermediária em conjunto com o neck obtive alguns sons interessantes, mas sinceramente? Achei o um captador meio “enche lingüiça” em uma guitarra voltado pro público mais hard rock, metal. Talvez sem esse captador, o preço final dessa guitarra ficasse até mais interessante.

Neck – INF3

Captador com imã cerâmico – Este captador se encontra colado no braço do instrumento, aproveitando todos os graves possíveis de se encontrar na guitarra. Obviamente tem uma saída mais fraca quando comparado ao da ponte, porém tem uma definição muito boa. Ótimos graves pra quem curte palhetar alternado que nem o Petrucci, Morse. Esse captador também trabalha bem com sons cleans usando acordes, dedilhando ou executando algum solo. Achei que por falta de sustain, o uso de um compressor se torna quase que obrigatório nessa situação de som clean.

A parte elétrica é totalmente bem organizada, com tinta condutiva e fiação presa em uma espécie de plástico, mantendo tudo fácil para um próximo upgrade.

Ponte e Tarraxas

Não sabemos se a Ibanez terceirizou ou fabricou as tarraxas. No teste que fiz, elas tiveram boa performance e uma boa precisão para afinar o instrumento

A ponte é um caso interessante. A guitarra tem o sistema zero, ponte que equipa as Ibanez Premium de hoje. Adicionalmente, ela tem alguns dispositivos que “travam” a ponte.

A base do material dessa ponte é o zinco, “likely zamak”. O bloco também um zinco bem vagabundinho e aí desconfio de uma boa perda da massa sonora da guitarra. Talvez uma troca de bloco ou até da ponte melhore muito essa deficiência do instrumento, caso ela chegue a te incomodar.

É uma ponte interessante na concepção, mas sinceramente acho que o material usado foi um tiro no pé. Ela realmente aguenta pressão, não desafina facilmente e tem uma ótima estabilidade. Mas já vi uma RG com ponte Gotoh e os captadores INF e a diferença de massa sonora era gritante.

Provavelmente vocês estão carecas de saber que a Ibanez implementou na nova safra das RGS a ponte EDGE ZERO II, com o sistema ZPS.

Com o sistema ZPS temos as seguintes vantagens:

Com esse sistema, você pode deixar a ponte “semi-travada” e obter estabilidade 100%, sem desafinações.

A guitarra não desafina, mesmo que tu quebres uma corda no meio de uma apresentação e, se brincar, até mais de uma. Você pode fazer Double Stops e bends à vontade que a ponte não se mexe, gerando desafinação nas outras cordas ou dificultando bends mais agressivos, mantendo a afinação perfeita na execução dos mesmos. Reza a lenda que melhora o sustain, porém não percebi muita diferença.

Estabilidade 100% na afinação.

As desvantagens:

Floyd um pouco mais duro para descer a tonalidade.

Impossibilidade de aplicar técnicas que só um flutuante consegue. Como tapinhas na alavanca e outros floreios.


Sem o ZPS

Retirando o ZPS a ponte se mostrou tão estável quanto a um Floyd Rose Original que eu tive. As desvantagens são exatamente as mesmas de um Floyd Rose comum. Realmente uma grande ponte, sem comparação com as edge III e etc.

É interessante frisar que é uma ponte de fácil regulagem. As duas molas são extremamente duras e presas por um parafuso. Chegar na afinação é mais fácil e não necessita de uma chave de fenda para regulagem de tensão, pois conta com um “botão” giratório bem funcional.

Comparado a um flutuante, ficou um pouco mais complicado para desmontar a ponte do corpo do instrumento. Além das molas serem muito duras, elas são presas por dois parafusos na própria ponte, dificultando o trabalho.

É bom saber

Temos uma chave seletora de 5 posições. Fica localizada no padrão de strato mesmo.

2 knobs cumprem o papel de volume e tonalidade. Posicionados de maneira tradicional


Considerações finais


Guitarra destinada ao público cabeludo ou que simplesmente curta um rock mais pesado ou farofento. Ela se dá bem com rock moderno e rock clássico dos anos 80 e 90. Tem um clean interessante para esse estilo, um visual apelativo que chama muito a atenção, normalmente as mulheres gostam muito dela (o que é bom, vai por mim).

Não tem a disposição o sistema Push Pull.

Se você for muito fã da Ibanez ou curtir muito o modelo da RG350MZ, recomendo a compra.

Se você caiu de pára-quedas e não liga muito pra Ibanez, aí vai depender do preço da Ibanez e da concorrente. Até R$ 1400,00 é um valor justo para uma em bom estado. Há muitas opções no mercado e, apesar de gostar dessa guitarra, acho o custo dela elevado quando olhamos a concorrência.

No mais, é uma guitarra legal, que serve pro trampo profissional sem necessidade de upgrade. Se o sustain não te incomodar, é uma ponte que não desafina com regulagens legais.

Notas de 0 até 10

Acabamento – 6

Timbre Limpo – 4

Timbre Crunch – 5

Timbre Dist – 7

Sustain – 4

Hardware – 6

Pegada do braço -10

Parte Elétrica – 7

Relação C/B – 6


Prós:

Pegada confortável no braço

Ponte extremamente estável

Trastes jumbos

Contras

Acabamento ridículo na parte do compartimento de molas

Preço acima das concorrentes

Pessoas ao redor “enchendo o saco” querendo tocar nela

Sustain abaixo da média

Um grande abraço

Paulo Heineken






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